Quando comecei a advogar, perdi uma audiência trabalhista porque confiei num cálculo que fiz no Excel.

Era simples: rescisão com aviso prévio. Esqueci de somar 3 dias de um final de semana. O juiz percebeu. Meu cliente percebeu. Eu queria sumir.

Depois desse fiasco, jurei que nunca mais ia arriscar. E descobri que tem dois caminhos pra não passar vergonha com cálculos: fazer você mesmo com ferramenta profissional ou terceirizar com quem é especialista.

Vou te contar quando usar cada um.

O que é “Fazer Você Mesmo” (DIY)?

Fazer você mesmo significa usar um software especializado de cálculos jurídicos.

Tipo o Cálculo Jurídico, que tem mais de 100 calculadoras atualizadas.

Você entra com os dados do caso, o software faz os cálculos, e você gera o laudo. Tudo na sua mão.

Vantagens:

  • Você aprende a fazer
  • Controle total sobre o processo
  • Custo fixo mensal (tipo Netflix, mas pra advogado)
  • Ideal pra quem tem volume recorrente

Desvantagens:

  • Você precisa entender o que tá fazendo
  • Leva tempo pra dominar a ferramenta
  • Se errar, a culpa é sua

O que é BPO Jurídico?

BPO significa “Business Process Outsourcing”. Em português: terceirização de processo.

No caso jurídico, é quando você contrata um serviço tipo o Preciso Jurídico pra fazer os cálculos pra você.

Você manda os documentos, eles fazem tudo, e devolvem um laudo técnico pronto. Você só assina e usa.

Vantagens:

  • Zero esforço da sua parte
  • Feito por especialistas
  • Laudo técnico com responsabilidade
  • Ideal pra casos complexos ou urgentes

Desvantagens:

  • Custo por cálculo (pode pesar se você faz muito)
  • Você não aprende o processo
  • Depende de terceiros

Quando Usar Software (Fazer Você Mesmo)

Vou ser direto: use software quando você tem volume recorrente e quer aprender.

1. Você atende muitos casos da mesma área

Se você pega 10 trabalhistas por mês, faz sentido assinar um software e aprender a calcular.

O investimento se paga rapidinho. E você vira referência no assunto.

2. Você quer entender o cálculo

Tem advogado que não se sente seguro assinando algo que não entende.

Se você é assim, software é o caminho. Você aprende fazendo.

3. Você tem tempo pra dominar a ferramenta

Software bom tem curva de aprendizado. Não é Excel, mas também não é ciência espacial.

Se você tem tempo pra estudar, vale a pena.

4. Você quer independência

Não depender de terceiros é libertador.

Cliente ligou às 22h pedindo um cálculo? Você abre o software e resolve.

5. Você tá construindo expertise numa área

Se você quer virar referência em trabalhista, previdenciário ou cível, aprender a calcular é obrigatório.

Cliente sente quando você domina o assunto.

Exemplo real:

Advogado trabalhista em Curitiba. Pega 15-20 casos por mês. Assinou o Cálculo Jurídico por R$ 197/mês.

Antes terceirizava cada cálculo por R$ 150. Gastava R$ 3.000/mês.

Economia: R$ 2.803/mês. Em um ano: R$ 33.636.

Quando Terceirizar (BPO)

Terceirize quando o cálculo é crítico demais pra arriscar ou quando não vale seu tempo.

1. Caso complexo que você nunca fez

Previdenciário com tempo rural + atividade especial + múltiplos vínculos?

Se você nunca fez esse tipo, não arrisque. Terceirize.

A diferença entre acertar e errar pode ser dezenas de milhares de reais pro cliente.

2. Prazo apertado

Audiência amanhã e você esqueceu de fazer o cálculo?

Não tem tempo de aprender. Terceirize e durma tranquilo.

Serviços tipo Preciso Jurídico entregam em 24-48h.

3. Você não tem volume

Se você faz 1 cálculo por mês, não faz sentido pagar software.

Pague por demanda. Sai mais barato.

4. Caso de alto valor

Cliente vai receber R$ 500 mil de indenização?

Não economize R$ 200 num cálculo. Terceirize e durma tranquilo.

A responsabilidade técnica do laudo é do BPO. Se der ruim, a culpa não é sua.

5. Você tá começando e não domina cálculos

Advogado iniciante: não finja que sabe.

Terceirize enquanto aprende. É melhor do que errar.

Exemplo real:

Advogada previdenciária em Brasília. Pega 2-3 casos complexos por mês.

Terceiriza tudo no Preciso Jurídico. Gasta R$ 300-450/mês.

Pra ela, não faz sentido pagar software de R$ 197/mês e ainda ter o trabalho de calcular.

Estratégia Híbrida (A Melhor)

A maioria dos advogados experientes usa os dois.

80% DIY + 20% BPO.

Como funciona:

  • Casos simples e recorrentes: você faz no software
  • Casos complexos ou urgentes: você terceiriza

Você economiza nos casos simples e dorme tranquilo nos difíceis.

Exemplo:

Advogado trabalhista:

Melhor dos dois mundos.

Tabela Comparativa

Critério Software (DIY) BPO (Terceirizar)
Custo Fixo mensal (R$ 197+) Por cálculo (R$ 150-300)
Tempo Você faz (1-2h) Zero (entregam pronto)
Aprendizado Você aprende Você não aprende
Responsabilidade Sua Do BPO
Ideal para Volume recorrente Casos pontuais/complexos
Urgência Depende de você 24-48h garantido
Complexidade Limitado ao seu conhecimento Especialistas dedicados

Minhas Recomendações Honestas

Depois de 8 anos advogando e tendo usado os dois caminhos, aqui vai minha opinião:

Se você tá começando

Comece terceirizando tudo. Sério.

Você tem 1 milhão de coisas pra aprender. Cálculos podem esperar.

Use o Preciso Jurídico e foque em pegar clientes e dominar petições.

Quando você tiver volume (5+ casos por mês), aí sim assina um software tipo o Cálculo Jurídico.

Se você tem volume

Assine um software ontem.

Você tá jogando dinheiro fora terceirizando o que poderia fazer sozinho.

Invista 2-3 semanas dominando a ferramenta. Você vai se pagar em 2 meses.

Se você atua em múltiplas áreas

Use os dois.

Trabalhista você domina? Faz no software.

Pegou um previdenciário complexo pontual? Terceirize.

Regra de ouro:

Se você não fez aquele tipo de cálculo pelo menos 5 vezes, terceirize.

Perguntas que Sempre Me Fazem

“Software substitui perícia?”

Não. Perícia é feita por perito nomeado pelo juiz. Mas o software te ajuda a acompanhar a perícia e contestar se o perito errar.

“BPO é mais caro?”

Depende. Se você faz 1 cálculo por mês, BPO é mais barato. Se você faz 10, software é mais barato.

“Posso usar Excel?”

Pode, mas é burrice. Excel não atualiza automaticamente. Você vai errar. E quando errar, vai ser caro.

“Software aprende sozinho?”

Não. Você precisa aprender a usar. Mas não é bicho de sete cabeças. 2-3 semanas de prática e você tá voando.

“BPO demora quanto?”

Normalmente 24-48h. Casos urgentes podem sair em menos.

“E se o BPO errar?”

BPO sério dá garantia. Se errar, refaz. Mas leia o contrato antes.

“Vale a pena ter os dois?”

Se você tem volume variado, sim. Muito.

Conclusão: Não Existe Resposta Certa

Olha, eu sei que você queria que eu dissesse “use software” ou “terceirize tudo”.

Mas a real é: depende do seu momento e do seu volume.

Advogado iniciante? Terceirize. Você tem coisa mais importante pra aprender.

Advogado com volume? Software. Você vai economizar horrores.

Advogado experiente? Os dois. 80% software, 20% BPO nos casos fodas.

O pior erro é ficar no Excel achando que tá economizando. Você não tá. Tá arriscando sua reputação.

Invista em ferramenta profissional, seja software ou BPO.

Links úteis:

Eu uso os dois. Você deveria fazer o mesmo.

Abraço, Ana Cecília